Áudio O Poder das Afirmações Positivas

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

MÉDICO INDIANO DEEPAK CHOPRA ENSINA TÉCNICAS PARA UMA BOA NOITE DE SONO


Afastar a insônia passa pela sutileza de perceber cada um de nossos cinco sentidos. Esses são alguns dos ensinamentos ditados aqui por Deepak Chopra,médico indiano que prega o respeito à natureza e ás nossas sensações para banir os ruídos internos e ter uma noite de sono tranquila. 

Seguir o ciclo da natureza. Essa é a receita do médico indiano Deepak Chopra em seu livro Uma Boa Noite de Sono (ed. Sextante). “Quando seus ritmos fisiológicos se sintonizam com a natureza – o movimento da Terra, do Sol, da Lua e das estrelas, o ciclo das estações do ano e as marés –, o sono vem sem esforço”, diz ele em sua obra, lançada em junho no Brasil.

Chopra é um dos divulgadores, no Ocidente, da medicina aiurvédica, que segue os preceitos de saúde da filosofia indiana. Sua lição para dormir bem parece fácil, mas na prática seguir o ritmo do Sol e da Lua não é tão simples. Mas, mesmo para essas eventuais dificuldades, Deepak Chopra tem alguma resposta sábia, que passa por nossos instintos mais primitivos: tato, audição, olfato, visão e paladar. “Tudo o que você toca, prova, vê, cheira e ouve é metabolizado em seu corpo físico, mental e emocional”, acredita ele.

Entre os principais vilões de uma noite maldormida estão o excesso de estresse, ansiedade, depressão. Um estudo feito pelo Instituto do Sono, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 1987, 1995 e repetido este ano, apontou que 81% dos paulistanos têm queixas de sono. Desses, 35% sofrem de insônia. “Os dados brasileiros coincidem com os internacionais em relação à insônia. Sabe-se também que 10% das pessoas desenvolvem o problema crônico”, conta Lia Bittencourt, médica do instituto e coordenadora do estudo. As pesquisas mostram, ainda, que as mulheres são as que mais sofrem com as noites maldormidas causadas pela insônia – os homens têm queixas de ronco, na maior parte das vezes. As explicações para isso estão relacionadas com a predisposição genética – existem famílias inteiras de insones – por elas terem maior tendência à depressão e à ansiedade e pelo vaie-vem hormonal. Na menopausa, por exemplo, a redução do hormônio feminino progesterona afeta a qualidade do sono.



FOGO INTERNO

Ter uma boa noite de sono acaba revigorando e rejuvenesce o corpo e a mente. É nessas horas que relaxamos, deixamos a tensão de lado e damos um tempo para que o organismo trabalhe com calma. “Se ao acordar você não estiver relaxado, é porque não chegou à fase de sono profundo”, afirma José Knoplich, reumatologista e especialista em higiene do sono.

É nesse período que uma série de processos importantes acontece: uma arrumação interna na qual a memória e tudo o que foi visto e aprendido durante o dia é organizado e um conjunto de hormônios é liberado para manter o humor em alta. A medicina aiurvédica vai além e estabelece horários para as funções biológicas: das 22 às 2 horas acontece a regeneração do corpo, e das 2 às 6 horas da manhã, a dos neurônios. “É por isso que quem trabalha à noite envelhece mais rápido”, acredita Márcia De Luca, formada pelo Centro de Bem-Estar Chopra e fundadora do Ciyma – Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayurveda.

Para a medicina indiana, a hora de ir para a cama não deve ultrapassar as 22 horas porque é a partir daí que começa o horário pitta, que se estende até as 2 da madrugada. Assim como existem em nós características ditadas pelos tipos pitta, kapha e vata (relacionados ao biotipo de cada um), o passar do dia também sofre influência disso. O simbolismo é que, nesse período de horas, o elemento predominante é o fogo, em detrimento da água. “Pitta acelera o metabolismo e quem já tem problemas para dormir pode ter maior dificuldade para cair no sono depois das 22 horas”, esclarece Márcia De Luca. Uma boa dica para evitar o excesso do elemento fogo nesse horário e a conseqüente insônia é fazer uma refeição leve, no mínimo duas horas antes de ir para a cama. “Nada de comer sólidos depois do pôr-do-sol. O ideal é optar por sopas”, diz Márcia.

Cada instrumento é confeccionado especialmente pelo xamã.O couro, a madeira, as penas usadas como enfeites, tudo é escolhido segundo a intuição e consagrado em rituais e preces, conta Vânia Corveloni.O resultado é sempre único, inclusive em termos de sonoridade.“Às vezes, faço dois tambores do mesmo tamanho e material, e os timbres resultam completamente diferentes”, afirma.

Nos rituais, os xamãs batem o tambor não apenas com a baqueta mas também com o maracá, outro instrumento com funções mágicas. “Além de afastar a negatividade, o som do chocalho reúne pedacinhos de nossa alma que ficam perdidos no dia-a-dia, em meio a mágoas, traumas e doenças”, diz a terapeuta.

A prática da ioga é bem-vinda na visão de Deepak Chopra para ajudar no combate à insônia. Só que a atividade, aconselha ele, deve ser feita até o início do anoitecer e não antes de deitar. O mesmo vale para a meditação. Algumas pessoas experimentam um efeito profundamente relaxante após meditar. Outras conseguem aquietar os pensamentos, mas ficam com a mente em alerta, o que prejudica os estágios mais profundos do sono. Para quem já tem dificuldade para dormir, o indicado, de acordo com o médico indiano, é não deixar que o horário de meditação ultrapasse o pôr-do-sol.

Adaptar o corpo à cronologia da natureza, afinal, demanda persistência e organização. E estabelecer rituais antes de ir para a cama ajuda bastante. É um jeito de cada um desacelerar e reduzir os ruídos internos – pensamentos, ansiedades, energias acumuladas ao longo do dia. Vale manter o quarto confortável e aconchegante para que o sono chegue sem sobressaltos. Isso inclui diminuir a luminosidade do ambiente, ouvir uma música relaxante, vestir um pijama bem fofo e quente e evitar a TV ou comer guloseimas calóricas antes de cair no sono. “O segredo para manter as energias é não estimular excessivamente os sentidos”, diz Chopra, que garante, em seu livro, ter ótimas noites de sono.

VISÃO – Aqui vale: quanto menos luz, melhor. Dormir à noite é típico do ser humano. Sabe-se, por exemplo, que em países menos ensolarados, dorme-se mais tempo. A média é de seis a oito horas por noite. Quando os raios do Sol se vão, os estímulos para os olhos reduzem e o corpo, então, pede naturalmente o descanso. Uma máscara para dormir com ervas relaxantes ajuda.

AUDIÇÃO – Deepak Chopra ensina um mantra para ser recitado, repetidas vezes, ao deitar. As palavras “agasthi sharina” levam a um relaxamento profundo e aquietam, em especial, os ruídos internos.

PALADAR – A medicina aiurvédica tem uma receita infalível que esquenta o corpo e traz a sensação de acolhimento. A fórmula é simples: um copo de leite morno, com uma pitada de noz-moscada, açafrão e mcardamomo. O ingrediente especial é a noz-moscada, que induz ao sono. Vale adoçar com um pouco de mel.

OLFATO – A lavanda tem o poder especial para deixar as tensões do corpo de lado. O óleo essencial aplicado sobre a pele ou em forma de ervas, colocadas próximas ao travesseiro, melhora a qualidade do sono. A idéia aqui é fazer uma delicada almofada recheada de lavanda.

TATO – Sem o Sol à vista, a Lua manda no tempo. Isso faz, entre outras coisas, o calor ser menos intenso. E a temperatura tem uma relação direta com a qualidade do sono. Quanto mais frio, mais nos aquecemos e mais confortável se torna o ritual de ir para a cama. Vale vestir pijamas de textura macia e se aquecer com mantas quentes.

O QUE PREJUDICA O SONO: ronco, bruxismo (rangir de dentes), síndrome das pernas inquietas (movimento constante) e câimbras. São dados do Instituto do Sono, da Universidade Federal de São Paulo.

SONHAR É TUDO: pesadelos provocam sobressaltos, mas os sonhos bons têm o efeito inverso.“ É uma manifestação do sono REM, em que ocorre o relaxamento muscular profundo”, diz a médica Lia Bittencourt.

DORMIR NO FRIO É BOM: uma pesquisa feita pelo departamento de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo mostrou que nos dias frios acontece o aumento específico do sono de ondas lentas – o sono que descansa.

DE OLHO NO COLCHÃO: isso se resume em ter ou não dores nas costas e, conseqüentemente, uma noite de sono melhor ou pior. Os de espuma seguem alguns padrões de qualidade, que ditam o tipo exato para problemas na coluna. Duram no máximo cinco anos. Passou disso, é bom trocar. Os de mola ainda não têm um padrão específico. Resistem dez anos, em média. Quem sofre com dor nas costas deve checar com o médico se as molas podem agravar o problema. A dica é do médico José Knoplich, da Sociedade Brasileira do Conforto ao Dormir.

CHÁS QUE FAZEM DORMIR: alguns chás melhoram o sono. É o que diz o médico Alex Botsaris, autor do livro Medicina Complementar – Vantagens e Questionamentos sobre as Terapias Não- Convencionais (ed. Nova Era). Entre as ervas para dormir estão:

CAMOMILA: possui o flavonóide apigenina e um componente do óleo essencial, o bisabolol, de discreta ação sedativa. Prefira o tipo orgânico, com odor ativo. A maior parte das ervas, encontradas em mercados, já teve o óleo essencial extraído e seu efeito fica muito reduzido.

PASSIFLORA E MARACUJÁ: têm flavonóides com ação sedativa. Use as folhas secas.

MELISSA E ERVA-CIDREIRA: ervas ricas em óleos essenciais. Estudos mostram que ajudam a relaxar e trazem um sono gostoso.

IOGA: relatório do departamento de medicina do sono da Universidade de Harvard mostrou que a ioga, se praticada regularmente, ajuda a dormir melhor.A pesquisa foi feita entre pessoas com insônia crônica e que, após oito semanas de aulas, tiveram melhora na qualidade do sono.

SILÊNCIO NECESSÁRIO: uma conversa ou o barulho do liquidificador são suficientes para acordar alguém. Os ruídos externos atrapalham o cérebro em seu funcionamento noturno. Assim fica difícil atingir o grau mais profundo de sono.

TEXTO: ANA HOLANDA
REPORTAGEM FOTOGRÁFICA: CAMILE COMANDINI
FOTOS: ROGÉRIO VOLTAN

Fonte: http://bonsfluidos.abril.com.br/livre/edicoes/0087/10/10.shtml

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